segunda-feira, 29 de agosto de 2011

TRAIÇÃO: CONTAR OU NÃO

Só confessa aquele que, não suportando o peso do própria culpa, sai em busca da absolvição redentora. Fora isso, não há dilema, pois sem culpa não há a percepção do erro como tal. Dentro do relacionamento amoroso a dinâmica não é diferente. Quem confessa uma traição está buscando o perdão do companheiro traído. O mesmo perdão que não foi possível conceder a si próprio. Assim, quando muito, uma confissão só aliviará o sentimento de culpa, mas não resolverá a questão em si. É antes um ato de covardia, porque quem traiu quer mais é transferir ou dividir a própria culpa justamente com quem foi traído. Diria mais, é sadismo travestido de arrependimento. E a redenção do perdão? Difícil nesse caso, porque o perdão verdadeiro demanda o esquecimento da ofensa e uma traição é sempre inesquecível. Agora, não se pode esquecer que trair e ser traído é sobretudo um sintoma inconsciente e neurótico do próprio relacionamento e, por vezes, seu ponto de equilíbrio.  

3 comentários:

  1. É o tão conhecido "sincericídio".Neste caso (o da traição conjugal)confessar é se matar enquanto pessoa fiel e ilibada e assassinar o outro que se julgava imune a tal infelicidade. Como disse muito sabiamente Danuza Leão: "não me conte!" Beijos.

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