segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O MELHOR DA VIDA

Eis o projeto básico de felicidade: tornar sonhos realidade. Ocorre que somos dinâmicos e inquietos como a própria vida, então vivemos num estado permanente de busca. Se, por um lado, esse desejo aparentemente insaciável é o que nos move para frente, por outro, é também o que nos deixa com um constante sentimento de falta. Isso é normal e esperado, mas se vivermos o presente com mais vagar e percepção, talvez a gente descubra que o melhor da vida não é tornar sonhos realidade e sim sentir-se maravilhosa e simplesmente vivo.





quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

QUAIS SÃO OS SEUS VALORES?

Mesmo nos encantando com valores nobres como ética, honestidade e solidariedade, são os nossos padrões de conduta que acabam demonstrando o que realmente importa para nós. Por vezes acima da ética está o desrespeito; acima da honestidade, a esperteza; e, da solidariedade, o egoísmo. É a prática que nos evidencia e define, não a retórica.  Na verdade, por causa e apesar disso, não somos tão bons quanto gostamos de pensar que somos e nem tão maus quanto gostamos de pensar que os outros são. 




quarta-feira, 25 de novembro de 2015

PROTEÇÃO INEFICAZ

Um menino chama a irmã de gorda. O pai repreende-o, dizendo que ela sente-se mal por sua obesidade e, por isso, fica triste cada vez que ele a insulta. Ciente disso, o menino, como era de esperar, segue provocando a irmã. Ou seja, a intervenção desse pai foi ineficaz. Isso porque, ao contrário do que se diz, proteger alguém com base na sua diferença apenas reforça o sentimento de inferioridade. É a igualdade, e não a diferença, que deve nos definir. Esse é o sentimento a ser estimulado, respeitado e preservado, acima de qualquer diferença. É a certeza de que todos somos iguais que nos torna fortes e independentes, inclusive da condescendente proteção alheia.








quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O QUE NOS ESPERA?

O fundamentalismo religioso cresce no mundo e no Brasil. Religiões com códigos de conduta rígidos e restritivos proliferam não apenas por conta da histórica ignorância humana, mas também pela crescente fragilidade dos valores morais. Nesse cenário, elas oferecem a firmeza e as regras que as pessoas tanto precisam. Isso porque, no fundo, a liberdade assusta, e é sempre mais cômodo ter quem nos diga o certo e o errado. O grande perigo desse fundamentalismo, porém, está na política, pois seus representantes estarão sempre dispostos a legislar contra os direitos e as liberdades individuais. Estaríamos diante de uma nova Idade Média?  




sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O MEU PÂNICO

O primeiro surto foi no ano em que completei 40. Medo, pavor, suor, taquicardia, tremores, sensação de morte iminente. Hospital: nada. Exames: nada. Sorrateiras, as crises ocorriam sempre no meio do sono, de madrugada. Enfrentei a doença do pânico e da ansiedade apenas com sessões de análise. Com o tempo, percebi que o melhor remédio era respirar e esperar. Então as crises foram ficando cada vez mais espaçadas e há uns três ou quatro anos estou bem, porém o medo de ter medo é um sentimento persistente. Sim, cada caso é um caso, mas consciência e paciência são fundamentais para enfrentar as horas mais escuras. Além, é claro, de uma mão para segurar. Por sorte eu sempre tive uma.





sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A BICICLETA NO TRÂNSITO

Humanizar as relações no trânsito é uma necessidade. Já a participação da bicicleta nesse processo merece ser repensada, pois o trânsito foi concebido apenas para automotores e pedestres que, devido à disparidade física, não dividem o mesmo espaço. Então somente as ciclovias, e não as ciclofaixas, podem oferecer segurança aos ciclistas. Acidentes acontecem, por imprudência ou por meras falhas humanas, e mesmo a boa educação não elimina o seu risco por completo, risco esse que todos assumimos, ativa ou passivamente, como motoristas ou pedestres. Enquanto em acidentes entre carros na cidade a regra é resultar apenas danos materiais, nos acidentes entre carro e bicicleta a vida do ciclista estará sempre por um fio.




sexta-feira, 30 de outubro de 2015

DEUS SOL

Talvez o mundo fosse um lugar melhor se o Sol fosse o nosso único deus. Absurdo? De forma alguma. É um fato científico que sem o Sol não haveria vida na Terra. Só essa razão objetiva já seria suficiente para nossa devoção eterna. Há mais, porém. O Sol seria um deus muito mais interessante. Isso porque ele não oferece nada além de luz e calor. Ele não julga ninguém e não espera nada de ninguém. Um deus, aliás, que não sabe nem que ele mesmo existe. Só um deus simples assim poderia nos conceder a liberdade e a responsabilidade de uma vida naturalmente plena, sem prestar-se ao triste papel de abrigar todo o nosso vil desejo de controlar tudo e todos.


  

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

GRIFES, GRIFES, GRIFES

Tenho preconceito em relação a grifes. Não discuto a qualidade de produtos que são amados e desejados por milhões. Obviamente, eu mesmo tenho alguns deles. O que me incomoda, porém, é o fato de que, em regra, marcas prometem muito mais do que entregam. Explico: grifes exploram, financeira e publicitariamente, o eterno desejo humano de ser aceito e amado. Iludidos, muitos tentam agregar para si o glamour que veem na marca, buscando preencher materialmente o que lhes falta emocionalmente. É como se apenas ser o que são não lhes fosse suficiente. Bom, pensando bem, talvez não seja mesmo...





sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O SOFRIMENTO DAS BELAS

Uma pessoa não perde a inteligência com a idade, mas a beleza sim, impiedosamente. Outro dia vi no mercado uma mulher na casa dos sessenta que tinha uma tristeza no olhar. Imaginei que essa tristeza fosse a de quem se sente apenas uma caricatura de si mesma, de quem sabe que seus dias de esplendor e exuberância ficaram há muito para trás. Sim, envelhecer é inevitável, mas quando a beleza é um traço definidor da própria identidade, isso pode ser especialmente doloroso. Talvez devêssemos valorizar mais a serenidade que a maturidade pode trazer e menos a beleza superficial da juventude. Será que algum dia a gente consegue?




sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O MEU EVANGELHO, A MINHA RELIGIÃO

"Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura", teria dito Jesus sobre a sua libertadora mensagem de amor ao próximo. O problema é que o homem, na prática, não é uma criatura disposta a dar e receber amor. Logo, a mensagem deve ser outra: ide por todo mundo e pregai o estado de direito e a garantia das liberdades individuais. Eis aí o meu evangelho; eis aí a minha religião. Esses são os requisitos para uma vida mais justa, mais próxima  do ideal de civilização. Nesse sentido a globalização pode e deve ser uma grande aliada, levando a boa-nova às culturas mais atrasadas e violentas do planeta. Aliás, qualquer cultura que não garanta o estado de direito nem as liberdades individuais não é digna dessa nobre denominação. 




terça-feira, 22 de setembro de 2015

ELITE HIPÓCRITA

Existe uma elite sensível e intelectual que vive justamente no seio da chamada elite branca. São os que, apesar de terem amealhado ou herdado algum dinheiro dentro do nosso tão criticado status quo socioeconômico, insistem em formar a fileira retórica dos que defendem os menos favorecidos. É sempre belo e conveniente posicionar-se a favor dos excluídos, principalmente quando a própria condição social está solidificada na iniciativa privada ou na estabilidade de um emprego público. Eles entendem e condenam as injustiças, mas gostam, e muito, da boa vida que esse capitalismo elitista lhes oferece.




quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O DEUS DOS PEQUENOS MILAGRES

O Deus do Cristianismo não é dado a grandes feitos. O próprio Cristo era econômico em seus milagres: curou enfermidades, andou sobre a água, multiplicou pães, fez vinho, ressuscitou um amigo e, por fim, ressuscitou a si mesmo. Como se vê, nenhum grande feito para a humanidade. Quem não viveu próximo dele sequer soube da sua existência. Hoje, da mesma forma, são atribuídos a Deus milagres igualmente pequenos: cura de enfermidades, alguns livramentos e, mais recentemente, prosperidade financeira. Por outro lado, Ele não evita catástrofes, não cessa guerras, não alimenta famintos, não cura a ignorância, não acaba com o fanatismo. Livre arbítrio? Sei... Quando o milagre acontece, é Deus agindo, quando não, debita-se do pobre e combalido livre arbítrio dos homens.





segunda-feira, 14 de setembro de 2015

#SOMOSTODOSOBESOS

O obeso é quem mais sofre discriminação. Imaginem três candidatos a uma vaga de emprego: um negro magro, um homossexual magro e um obeso. Quem está mais longe de conquistar a vaga? O obeso, certamente. Isso porque acreditamos que obesos não têm força de vontade nem disciplina, que são desleixados e, até mesmo, repugnantes. Esquecemos, porém, que a obesidade é uma doença e que ninguém é obeso porque quer. Sim, negros e homossexuais também sofrem muita discriminação, mas eles aprenderam a se defender da estigmatização desenvolvendo o orgulho da própria condição. Já os obesos, infelizmente, são os primeiros a se condenarem e a terem vergonha do seu triste e perigoso excesso de peso. 




sexta-feira, 4 de setembro de 2015

INDIGNAÇÃO PONTUAL

A imagem do menino sírio morto na praia chocou o mundo. Ocorre que, via de regra, apenas nos indignamos quando a crueza da realidade mostra-se diante de nós, ainda que de forma virtual (como se não soubéssemos que a vida é mesmo injusta e que a barbárie sempre teve lugar cativo na conduta humana). Talvez a indignação seja só uma forma de provarmos a nós mesmos que não somos tão egoístas quanto parecemos, um contraponto ao "salve-se quem puder" que rege o mundo desde sempre. Incomoda-me, porém, essa indignação pontual. Para mim, ela não passa de um disfarce da velha e conhecida hipocrisia.





domingo, 30 de agosto de 2015

NÃO MATARÁS!

Não matamos, mais por medo do que por convicção moral. Não falo de medo do inferno, porque ninguém deixa de matar por causa de Deus ou do diabo. O medo que nos freia, na verdade, é o medo de sermos pegos e de perdermos a liberdade. Por isso desde sempre fantasiamos a possibilidade do crime perfeito. É evidente, porém, que matar é errado, mais que isso: uma abominação. Agora, e se tudo nos fosse permitido ou se perdêssemos esse medo, quantos de nós seguiriam guiando-se por nobres valores morais?



terça-feira, 25 de agosto de 2015

MINHA OUTRA VIDA

Não, não tenho outra família nem creio em vida após a morte. Refiro-me à minha vida noturna, que se dá enquanto durmo. Sou fascinado por essa vida virtual, onde tudo é possível e/ou permitido. É um verdadeiro bônus, geralmente não contabilizado. Sonhar é bom justamente porque a gente só saberá que não é real ao acordar. Por isso quando me deito não penso apenas em dormir. Ao contrário, preparo-me com excitação para uma viagem cujo destino é sempre uma inusitada surpresa.






segunda-feira, 10 de agosto de 2015

QUEM TEM MEDO DA MORTE?

Sim, a morte é tão inevitável quanto natural, mas todo medo é irracional e involuntário, por isso é inútil racionalizar essa questão. Nós podemos até aprender a conviver com o medo da morte, aceitando-o, mas jamais superá-lo. Isso porque, diferente de tantos outros, ele é o nosso medo fundamental, que nos persegue desde sempre. Em tempo: a solução da fé não é suficiente para que deixemos de falar sobre o mesmo assunto.







segunda-feira, 3 de agosto de 2015

MINHA RAÇA É A HUMANA

Por que não abolir o conceito de raças? Afinal, a diferenciação racial sempre foi mecanismo de opressão e não de redenção. Por essa razão o resgate do orgulho racial, ainda que compreensível, mostra-se ineficiente quando finca sua base justamente na demarcação da diferença racial. Penso que toda ação afirmativa deve estar baseada na igualdade e não na diferença, pois qualquer qualificação racial, que não seja a humana, é absolutamente desnecessária e contraproducente.





terça-feira, 28 de julho de 2015

EU PAGO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO

Cumprir a lei não deveria motivar um texto; deveria ser apenas a regra, o normal. Pela segunda vez compro equipamentos eletrônicos no exterior e pela segunda vez sou o único a pagar os 50% sobre o excedente da cota dos 500 dólares numa sala de desembarque lotada. Antes da viagem, confesso ter cogitado arriscar e me dirigir placidamente para a fila dos que não têm nada a declarar, como a maioria. Mas a possibilidade, ainda que remota, de ser parado na alfândega me enchia de medo e de vergonha. Discuti o assunto em casa, argumentei que era revoltante pagar esse imposto quando praticamente ninguém faz isso. Então meu filho Mateus me lembrou que ética é fazer o certo independentemente do que os outros fazem. 





segunda-feira, 13 de julho de 2015

POR QUE SOU ATEU

Tinha 11 anos quando um amigo de escola disse não acreditar em Deus. Que coragem!, pensei. Mais tarde, com 23, também deixei de acreditar. Percebi que com ou sem fé quase tudo está além da nossa capacidade e vontade, que usamos Deus para justificar nossas convicções e não o contrário. Então não sou ateu por revolta, mas porque Deus não é um conceito natural e sem Ele a vida me faz mais sentido. É claro que a perspectiva da morte me causa angústia, mas isso não me impede de viver (e nem de morrer) com a cabeça erguida. 



sexta-feira, 10 de julho de 2015

DIREITOS HUMANOS

Ápice formal da civilização, a Declaração Universal dos Direitos Humanos torna iguais todos os cidadãos do mundo. Por isso todos têm direito ao devido processo legal e às condições mínimas de dignidade, mesmo na condição de detento. Porém um criminoso é, antes de tudo, alguém que não respeitou os direitos humanos de outra pessoa. Sim, todos têm direito à dignidade e à vida, mas quando os algozes despertam mais comoção do que suas vítimas é porque algo está profundamente errado.




terça-feira, 7 de julho de 2015

O QUE A ESCOLA DEVE ENSINAR

Não creio ser da escola a tarefa de ensinar sobre comportamento sexual ou crenças religiosas. A agenda escolar, penso, deve se ater ao ensino da ciência e da cidadania, valorizando e cobrando o respeito, inclusive quanto à sexualidade e à religião de cada um. Formar o ser humano é encargo da família, não da escola. E quando a família falha? Ah, daí tanto a escola quanto a sociedade padecem da mesma forma.  





terça-feira, 30 de junho de 2015

VIVA O ESTADO LAICO!

Só o estado laico garante a liberdade religiosa. Isso porque a religião sempre foi uma eficaz ferramenta da tirania de determinados grupos contra outros. A religião é um direito, mas antes é uma faculdade de caráter individual, por isso deve ficar restrita aos lares e aos templos e longe da coisa pública. O estado laico deve ser defendido por todos, especialmente por quem tem uma fé religiosa, pois só assim o seu sagrado direito de crença será preservado. É claro que respeito quem pensa diferente, embora essa discordância apenas reforce o meu ponto de vista. 




quinta-feira, 25 de junho de 2015

POR AMOR À VIDA

Respeitar a vida alheia é o pacto social mais básico, elementar e fundamental. Quem mata outra pessoa deliberadamente ofende de modo irreparável toda a coletividade e, por isso, merece punição proporcional. Sem isso não há justiça. Não é justo dar segunda chance ao homicida porque a sua vítima não terá a mesma possibilidade. A complacência com o homicídio é, sobretudo, uma hipocrisia, um profundo desrespeito ao nosso mais valioso bem, o único insubstituível. É por amor à vida que defendo a pena de morte no caso de homicídio doloso. Mas ninguém quer sujar as mãos com isso. Afinal somos todos muito bondosos, não é mesmo?






segunda-feira, 15 de junho de 2015

VERGONHA

A coisa pública no Brasil não é percebida como algo de todos e sim como algo de ninguém. Falta-nos cidadania. Por isso se pratica tanta coisa errada sem qualquer sentimento de culpa, desde estacionar o carro em local proibido até usurpar quantias vultosas do erário. Há uma triste inversão de valores: censurar o comportamento ilegal é meter-se indevidamente na vida alheia; chamar a atenção de alguém é motivo de briga. Sempre tivemos esse caráter frouxo, impregnado de relativismos circunstanciais, a novidade agora é que perdemos a vergonha.  



terça-feira, 9 de junho de 2015

ADEUS ÀS ILUSÕES

A única ilusão que ainda defendo é a da liberdade. Não me permito mais o luxo de ter outras. Justamente em nome da liberdade é que respeito as ilusões alheias. Respeito, mas não as admiro. Isso porque, intimamente, decepciono-me com os tolos românticos ou oportunistas espertos que ainda as defendem. A realidade é sempre mais complexa e debaixo da nossa aparente e desejável normalidade há sempre muita contradição, dúvida e desamparo. Se a ilusão é o único porto seguro prefiro navegar em mar aberto.



sábado, 30 de maio de 2015

O PRECONCEITO É HUMANO

Todos temos conceitos prévios baseados nas experiências próprias, nas alheias e, ainda, no que nos é passado de geração para geração. A fonte desses preconceitos é o temor do desconhecido ou do que é apenas diferente. Padrões iguais e comportamentos de repetição geram segurança, por essa razão temos tantos preconceitos com o que nos é novo ou diferente. Porém, por ser uma mera impressão prévia, temos sempre a possibilidade de rever nossos preconceitos a partir de novas experiências ou perspectivas. Como disse em outra oportunidade, o problema maior é não admitir o próprio preconceito, porque pior é a hipocrisia que, ardilosa e dissimulada, camufla-se na roupagem das melhores intenções. Sim, o preconceito é humano, mas infelizmente a hipocrisia é ainda mais.




segunda-feira, 18 de maio de 2015

PARA ADVOGADOS E JUÍZES

Ao contrário da célebre lição de Eduardo Couture ("Teu dever é lutar pelo direito, mas no dia em que encontrares em conflito o direito e a justiça, luta pela justiça"), penso que advogados e juízes devam lutar sobretudo pelo império da lei, ou seja, pelo direito. Isso porque a lei representa o que é justo para a coletividade e não pode o estado democrático de direito se sujeitar à noção individual de justiça, pois esta varia de pessoa para pessoa. Revoltam-me decisões judiciais que se guiam mais pela consciência do que pela lei. Só há segurança jurídica quando a lei é respeitada e observada, mesmo quando isso nos pareça uma injustiça. São ações e lutas democráticas que revogam leis injustas. Porém, antes disso, vale outra lição, muito mais antiga: Dura lex, sed lex (A lei é dura, mas é a lei). 



quinta-feira, 23 de abril de 2015

SOMOS ASSIM TÃO DIFERENTES?

Seguindo a atual tendência dos extremos, os debates sócio-políticos nas redes sociais têm sido intensos e acalorados. Seria isso um reflexo de que somos assim tão diferentes? Penso que não. Para mim a grande diferença não está em como somos, mas em como pensamos que somos. Disso resulta que a divergência está mais na retórica do que na prática. Isso porque, em regra, somos todos cidadãos vivendo (e sobrevivendo) de modo muito semelhante. Não vejo ninguém ser socialista de fato e nem capitalista sanguinário. Porém somos livres, inclusive para pensar o que quisermos sobre nós mesmos e as redes sociais estão aí para que exercitemos a nossa liberdade de expressão e, principalmente, de imaginação.



segunda-feira, 6 de abril de 2015

CASTIGO E RECOMPENSA

Na educação dos filhos diz o senso comum que para todo mau comportamento deve haver uma consequência. Penso, contudo, que essa consequência deve ser natural e não artificialmente imposta. Exemplo: se reprovar na escola vai ficar sem a viagem do final do ano. A consequência natural, no caso, é ter que repetir o ano letivo e não ficar sem a viagem. O grande desafio, a meu ver, é interiorizar nos filhos o valor que cada coisa tem, independentemente de recompensas ou castigos. Mais que isso: fazer com que percebam o real valor de cada ação, com os ganhos e perdas intrínsecos. Nesse passo, tão problemático quanto o filho que reprova é o que obtém a aprovação pensando em outra recompensa que não seja a de evoluir na carreira estudantil. 




quarta-feira, 1 de abril de 2015

MAIORIDADE PENAL

A função primeira do Direito Penal é punir. O argumento de que a redução da maioridade penal serviria apenas para punir os mais pobres é retórico, condescendente e hipócrita, porque deixar de punir um jovem criminoso não diminui a desigualdade social. Pobreza se combate com desenvolvimento humano; não com impunidade. Também é estéril o argumento de que a redução não diminui a criminalidade, isso porque, como disse, o objetivo primeiro do Direito Penal é punir. Recuperação e ressocialização são objetivos secundários. É justamente a capacidade de entender o resultado de uma ação criminosa que justifica a punição. Aliás, se aos 16 ainda não se sabe que matar ou roubar é errado, não será aos 18 que isso acontecerá.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

DEUS É BOM?

Se Deus existe, por que seria Ele necessariamente bom? Por que uma divindade poderosa seria justa, se o poder absoluto sempre esteve atrelado à opressão e não à redenção? É possível que a presumível benevolência divina seja fruto apenas da nossa eterna ânsia por justiça e por um sentido maior. Embora maravilhoso, o mundo é também caótico e amoral. As leis naturais não atendem aos nossos anseios éticos e metafísicos. Talvez fosse mais razoável imaginar Deus como um reflexo da sua própria criação: maravilhoso e caótico. 



quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

CHARLIE, SER OU NÃO SER

Ser Charlie não é concordar com o humor exagerado da publicação francesa. Ser Charlie é defender o direito à liberdade de expressão. Então devemos nos submeter e calar diante do deboche dos símbolos religiosos em nome da liberdade? Não necessariamente. Isso porque o estado de direito é regido por leis, as quais garantem o direito de ação àquele que se sentir lesado por eventual ofensa de qualquer natureza. No Brasil, é crime o escárnio público da reliogiosidade alheia. Na França, deve ser a mesma coisa. Aliás, garantir a lei dos homens, com suas liberdades e responsabilidades, e não a lei de um deus, é desafio constante da civilização.