Debate-se hoje o uso de certas palavras que poderiam ter conotação racista. Denegrir, por exemplo. Pelo dicionário é tornar negro, manchar, causar infâmia. Ou seja, seu significado não tem nada a ver com a raça negra. (Aliás, não existe pessoa com pele de cor negra e nem branca). A questão é que, histórica e psicologicamente, a cor negra (preta) é associada a coisas negativas: a noite é escura, as trevas representam o desconhecido etc. Entendo que não dê para mudar a denominação da raça negra e que, ao contrário, deve-se ter orgulho dela justamente para afastar o caráter pejorativo do termo. Agora, por outro lado, não dá para ficar caçando bruxas no dicionário, desejando abolir o uso de expressões cujo significado passa longe da questão racial.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
domingo, 11 de novembro de 2012
A BONDADE DA ESQUERDA
Já fui politicamente de esquerda. Hoje não sou mais tão pretensioso. Para ser de esquerda, é preciso julgar-se genuinamente bom e crer que o mundo se divide entre bons e maus. Pessoalmente não acredito mais nem em uma coisa nem em outra. (Não entrarei no mérito dos que usam essa ideologia para ganhar a vida de modo oportunista, porque o caráter é anterior à opção político-ideológica). Ser de esquerda é sobretudo uma profissão de fé. Funciona como uma religião onde, em troca da conversão e dedicação abnegadas, se recebe o conforto emocional do seguinte espelhamento hipócrita: minha ideologia é boa logo sou igualmente bom.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
CAMINHANDO COM A MÃE
Não é novidade dizer que se gosta para sempre do que se gostou quando criança. Tal sentimento é retratado com absoluta delicadeza no desenho "Ratatouille". Tudo acontece quando o sisudo crítico culinário Anton Ego experimenta o ratatouille preparado por Rémy, o insólito ratinho cozinheiro. Embora simples, o prato é feito com tamanha perfeição que o crítico, até então impassível e implacável, acaba por se desmanchar diante da lembrança que aquela experiência gustativa traz da sua infância e do carinho da mãe. Pois bem, dia desses me dei conta porque gosto tanto de caminhar por cidades e porque sempre vejo tudo com admiração. Simples: memória afetiva. Caminhar por calçadas é para mim, de certa forma, a repetição do prazer lúdico que sentia quando fazia isso de mãos dadas com minha mãe.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
ÍNDIOS
A questão indígena não é humanista: é social. Eis a realidade: não dá mais para índio viver como índio. Reserva é coisa para animais selvagens, não para seres humanos. Por isso é preciso fazer uma política de gradativa integração dos índios à sociedade. Afinal, todos os nascidos no Brasil, índios, brancos, negros, pardos, amarelos, são igualmente brasileiros. Essa legislação paternalista não conseguiu salvar o índio da sua anunciada, escancarada e lenta dizimação. Que, ao menos, uma nova lei possa fazer com que as suas futuras gerações possam viver dignamente apenas como brasileiros. Bem-vindos ao século XXI. Emprego, imposto, supermercado, escola, trânsito, futebol, televisão. Não é fácil mas acostuma.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
CONSCIÊNCIA BRANCA
Sou contra a discriminação de pessoas por qualquer motivo. Aliás, não apenas eu, o art. 5o. da Constituição Federal também é contra. Contudo o nosso governo vem adotando o que se pode chamar de "apartheid oficial" com a sua política de ação afirmativa. Não bastasse as cotas de ingresso nas Universidades Federais, pretende-se agora dar a mesma vantagem em relação aos concursos públicos federais. Não vou entrar no mérito das cotas (já fiz isso no texto "Cotas da humilhação"). Apenas farei duas perguntas:
- Acaso as mulheres, sempre oprimidas, precisaram de cotas para ingressarem nas universidades ou no funcionalismo público?
- Será que no futuro essa política discriminatória não irá criar esdrúxulos movimentos sociais de garantia dos direitos dos brancos?
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
OS FILHOS QUE NÃO TEMOS
Outro dia me ocorreu a diversidade imensa de filhos que não temos. No meu caso, estou satisfeito com os dois que a vida me deu. Mas constatei a imensidão de variações que a combinação entre apenas um homem e uma mulher tem para gerar distintos seres humanos. São, em média, trezentos e cinquenta milhões de espermatozoides em cada ejaculação. Ou seja, dá para imaginar a variedade de filhos que poderíamos ter (e não temos). Note que disse variedade e não quantidade. E como seriam esses filhos? Melhores? Piores? Não importa, o que importa é que seriam diferentes. E isso me parece fascinante. Aliás, essa é mais uma faceta da diversidade biológica que rege a vida. Há mesmo um mundo dentro de cada um de nós.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
COINCIDÊNCIAS INÚTEIS
É desejo comum acreditar que na vida não há coincidência, que nada é por acaso. Minha percepção, todavia, é a inversa: tudo é coincidência, tudo é por acaso. Diria mais: a grande maioria das coincidências é absolutamente inútil e irrelevante. Explico: duas pessoas estranhas se cruzando numa rua de uma grande cidade é uma coincidência extraordinária. Sim, a probabilidade matemática disso ocorrer é extremamente mínima. Mas acontece todo dia, a todo instante. E qual é a relevância desse fato? Nenhuma. O que ele significa? Nada. Isso porque apenas uma fração infinitesimal dessas coincidências afeta nossas vidas. As boas chamamos de sorte; as ruins chamamos de azar. O resto é profissão de fé.
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